Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Do caos em que mergulharam os Professores

por alho_politicamente_incorreto, em 23.09.16

Das praxes ao caos

artigo JMAlho.jpg

Por José Manuel Alho

 

As praxes. O ministro da Ciência e Ensino Superior pretende que as instituições de ensino superior deixem de legitimar as comissões de praxe e, em alternativa, recomenda programas de receção aos novos alunos centrados na cultura e na ciência. Dos reitores, a primeira reação foi estranhamente frouxa, sem grande entusiasmo, repetindo à exaustão que, no essencial, o importante é combater os abusos. Infelizmente, a praxe, tal qual a conhecemos, configura um abuso por se ter vindo a assemelhar a um repositório de práticas e lógicas medievais, que exaltam a imbecilidade e a obediência canina. E a Universidade não pode, em circunstância alguma, consentir tão degradante conotação a menos que esteja também ela subjugada pelos ditames das comissões de praxe…

 

Como sempre acontece quando o Verão se aproxima do fim, a realidade devolve-nos, neste mês de setembro, ao mundo que enfrentamos – ou suportamos? – no resto do ano. O país e o mundo impõem a sua lei que reduz a mínimos simbólicos a ilusão, a esperança e, acima de tudo, o sonho. Sinto-me assim. Por isso, escolhi socorrer-me de Baptista-Bastos quando vincou: «Pessoalmente, sei muito bem do que falo. Quando a nefasta melancolia me invade vou-me aos livros escritos por aqueles que nunca desistiram. Recordo, com frequência, aqueles, todos aqueles que me ensinaram a pensar no sonho. “Pelo sonho é que vamos”, escreveu António Ramos Rosa. Pelo sonho, pelo sonho. E o país com que sonhamos está em nós. Podem fazer-nos as maiores indignidades. Pelo sonho é que vamos.»

 

O sonho e a ilusão que, por exemplo, neste início de ano letivo, deveriam inspirar o regresso às aulas de alunos e professores. Apesar da aparente tranquilidade, subsistem sérios e múltiplos problemas que, a qualquer momento, ameaçam estilhaçar tão instável filigrana. Confirma-se a saga das reformas e das contrarreformas, a celebrar o experimentalismo que tem esgaçado o nosso sistema educativo. Um caos. Daí que falte rotina e previsibilidade a um setor violentamente massacrado por interesses e tendências usualmente cavernosos. Persistem iniquidades e preconceitos vários a dinamitar um terreno que já conheceu melhor céu. Nesse particular, o 1.º Ciclo rompe(u) com todos os limites do defensável!

 

De forma acéfala, impunemente desprovida de ponderação e razoabilidade, criam-se hordas de militantes reconvertidos que, à bruta força, querem impor a nova caterva de nomenclaturas, procedimentos e soluções. Uns aceitam integrar “a mudança” – e quantas crueldades já se fizeram camufladas de mudanças! – por receio de a sua relutância poder vir a indispor a corrente momentaneamente em voga. Outros, que ainda não se demitiram de refletir sobre a real utilidade e impacto das novidades, são logo rotulados de «forças que resistem e rejeitam a mudança», primeiro passo para a exclusão sumária.

 

Por ser tão visceralmente português, a implementação das reformas e contrarreformas angaria, com patológica facilidade, adeptos que a elas aderem com a mesma atitude medieval que anima muitas das praxes nas nossas universidades. De forma acéfala, impunemente desprovida de ponderação e razoabilidade, criam-se hordas de militantes reconvertidos que, à bruta força, querem impor a nova caterva de nomenclaturas, procedimentos e soluções. Uns aceitam integrar “a mudança” – e quantas crueldades já se fizeram camufladas de mudanças! – por receio de a sua relutância poder vir a indispor a corrente momentaneamente em voga. Outros, que ainda não se demitiram de refletir sobre a real utilidade e impacto das novidades, são logo rotulados de «forças que resistem e rejeitam a mudança», primeiro passo para a exclusão sumária. E assim se contam espingardas e se separam as águas, sem cuidar do destino a que cada caminho nos leva(rá).

 

Daí que há muito defenda que se restitua às escolas a democraticidade perdida. Urge resgatar a Escola do colete de forças em que foi metida, devolvendo a colegialidade que melhores mecanismos de escrutínio garantirá. De igual modo, a tutela deveria ser a primeira interessada em desencadear, de uma vez por todas, o mais vigoroso ataque à burocracia estéril e conceptualmente atávica que suga o melhor do ensino – a atividade, em sala e aula, com os alunos – penalizando fortemente quem desvia os docentes da sua missão, mergulhando-os em poços onde são encharcados em tutoriais visando a mais viscosa palermice.

 

Mas isto está estudado desde tempos imemoriais. Afundar os professores em pântanos da mais profunda sandice burrocrática para que não possam erguer a cabeça e ver o horizonte de tudo que existe e acontece em seu redor é uma habilidade que, com prejuízo das relações humanas, se tem distinguido por desprezar a mobilização em favor da imposição. Afinal, a quem interessará inundar os docentes em papeladas mil para que não possam levantar a cabeça?

 

Mesmo no atual contexto de claustrofobia democrática na maioria dos agrupamentos escolares, cumpre às autarquias e às associações de pais, com assento nos Conselhos Gerais, identificar e reprimir exemplarmente abordagens tão perversamente desvirtuadas da função docente. Assim saibam (e queiram) estar à altura das suas responsabilidades.

José Manuel Alho

Autoria e outros dados (tags, etc)

As novidades do Presidente - Parte II

por alho_politicamente_incorreto, em 09.09.16

Por ser matéria recorrentemente abordada neste espaço, onde já veiculei todo o tipo de reparos, alertas e sugestões, cumpre reconhecer que o setor municipal da Educação conheceu, nestes três anos, uma quebra de dinâmicas até então muito positivas e que haviam guindado o concelho ao patamar das melhores práticas e exemplos a seguir por qualquer edilidade.

Foto retirada daqui 

 

Mas neste caso concreto, AL põe o dedo na ferida quando se refere a uma «herança», que resulta de uma má opção inicial. A raiz do problema que o tempo veio agora desnudar – e, avisa-se, continuará a acentuar! - é consequência da decisão de construir uma nova escola para agregar o 1º Ciclo e o 2.º Ciclos. Erro crasso. Enquanto em Angeja ou em Alquerubim se edificaram centros escolares modernos para, à luz das melhores recomendações pedagógicas, congregar SOMENTE o Pré-escolar e o 1.º Ciclo, a sede do concelho acomodou uma escolha que sempre se afigurou inusitada e merecedora de crítica veemente. Infelizmente, a freguesia de Albergaria e de Valmaior continua(rá) sem um Centro Educativo para o Pré-escolar e o 1.º Ciclo. E essa é uma lacuna que ninguém aparenta querer enfrentar com o propósito de a suprir.

 

Na verdade, teria sido mais avisado transferir, no âmbito de uma profunda requalificação das instalações, o 2.º Ciclo para a Escola Secundária onde o ensino também assenta na pluridocência (regime de ensino em que os diferentes professores asseguram os vários domínios das áreas curriculares) ao invés do Pré-escolar e do 1.º Ciclo onde predomina a monodocência (regime de ensino em que UM professor assegura todos os domínios das diferentes áreas curriculares). Obviamente que, com esta opção estratégica, a novel Escola Básica passaria a ter características arquitetónicas e funcionais bem diferentes das atuais porque se trataria se um Centro Escolar para o Pré-escolar e o 1.º Ciclo.

 

Fiquei seriamente preocupado com a solução gizada por AL que, «tendo em consideração a falta de salas de aula que existem no 1º Ciclo do Ensino Básico, em Albergaria-a-Velha», propõe «a requalificação da Escola da Avenida». Não me parece que seja uma solução globalizante, equilibrada e duradoura. Atualmente, os alunos do 1.º Ciclo, mesmo descontada toda a sorte de constrangimentos vigentes, usufruem de um conjunto de instalações, mormente as desportivas, que não implicam, por exemplo, a saída daquele espaço.

 

Bem sei que, para estes processos decisórios, se constituem grupos de trabalho apinhados de especialistas renomados e de outros peritos habitualmente (muito) bem pagos, mas talvez não fosse de todo insensato ponderar a construção de mais um pavilhão na área ainda disponível naquela escola básica e que, segundo informação que me fizeram chegar, até constaria do projeto inicial.

José Manuel Alho

Autoria e outros dados (tags, etc)

As novidades do Presidente - Parte I

por alho_politicamente_incorreto, em 07.09.16

No passado mês de agosto, António Loureiro (AL), o presidente da Câmara Municipal, aproveitou para divulgar planos, anunciar promessas e fazer um primeiro balanço deste mandato. Recordou o aumento da área disponível na zona industrial, a requalificação urbana que diz estar em curso e o incremento da Ação Social que estará a ser responsável pelo aumento da despesa. Pelo meio, revelou que, afinal, os seus desígnios se confinam «a um projeto a oito anos». Se bem que este dado possa pôr termo a algumas especulações a respeito de eventuais divisões internas que indiciariam ruturas de vária índole, não deixar de ser esclarecedor que AL, ao predeterminar a sua validade nas atuais funções, deixe cair a impressão que a política não seja o mais confortável dos (seus) mundos.

 

Fazendo alarde do facto de «o Município de Albergaria, de acordo com o Anuário dos Municípios Portugueses do ano passado, ter sido o 9.º Município com maior redução de impostos», AL não consegue ainda assim desfazer o sentimento de alguma desilusão que vai ganhando terreno entre a população. A edilidade continua a ter um quadro de colaboradores que se afigura desproporcionado e pouco vocacionado para resolver, com rapidez e eficiência, os problemas dos munícipes. Alguns serviços parecem inclusivamente distanciados dos anseios mais básicos dos utentes a que se destinam.

 

Talvez por defeito profissional, considero que uma das mais importantes novidades deixadas por AL foi a assunção da «situação de insuficiência de instalações no 1º Ciclo do Ensino Básico» na sede do concelho, visto que foram encerradas várias escolas para a construção da Escola Básica do 1º e 2º Ciclos.» Referindo-se à Escola Básica de Albergaria, o presidente da autarquia fez (e muito bem!) notar que «Uma escola que foi construída para acolher oito turmas do Básico, tem neste momento catorze. Isto provoca uma sobrecarga no edifício e uma desproporcionalidade face à população escolar acolhida.» Uma pena ter demorado três anos a chegar a esta conclusão.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Google Tradutor


Repto


No meio da rua...


Alhadas passadas

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D

Assinantes de feed

ASSINE NOSSO FEED

Feed

Gadget by Feed Burner modificado por bloggerenciado

Links

Educação

Outros BLOGS

Recursos